chamada aberta brasil

* Atenção: nosso prazo para receber os vídeos foi estendido até o dia 30/05 : ) Informe também seus dados para nossos créditos, bem como links que você queira divulgar na nossa página. Super danke : )  !

Estamos convidando queers* de todo o Brasil a participar com suas faces (e máscaras) e falas, caras e bocas, manifestos e fantasias, desa-bafos e performances, e outras sugestões / desejos… a fazer parte desse projeto colaborativo.

Através de uma videocolagem (projetada com técnicas de videomapping sobre as superfícies de metal), a nossa máscara queer-afro-futurista vai ganhar vida, ânima, movimento, vozes. Vamos recombinar olhos, narizes, bocas, peles, cores e make-ups sobre os elementos faciais da máscara  (bricolagem de sucatas industriais encontradas em ferros-velhos de Berlim). “M(ask)” vai ser exposta na programação artística do Transcreen Festival, entre os dias 3 e 6/6.

A máscara tribal africana, inspiração seminal para a renovação da arte tradicional européia pelos cubistas, na arte moderna das “vanguardas” do século XX,  é neste trabalho reapropriada e reinterpretada através da inspiração afrofuturista e queer pelo mundo. A máscara também expressa a brincadeira com a própria identidade e suas múltiplas possibilidades, em animismo, carnaval, e mesmo em nosso cotidiano.

“Originalmente, havia relativamente poucas máscaras: aquelas que pertenciam ao xamã, ao caçador, e ao homossexual. Mais tarde, as máscaras tornaram-se mais numerosas; hoje elas podem ser vestidas uma por cima da outra. Uma pessoa pode, por exemplo, dançar como um gerente bancário e usar por debaixo a máscara de um connoisseur de arte, de um jogador de bridge e de um pai. Se retirarmos uma máscara após a outra, então não há nada no fim (tal como descascar uma cebola). A análise existencialista então assim coloca: o ‘eu’ de cada um é aquilo a que nos reportamos como ‘você’.”

(Villem Flusser in “Xamãs e danças com máscaras”)

Em se tratando de Brasil, ainda estamos “nos tornando”(devir), na urgência de nos conhecer em nossa diversidade e nos reinventar. Nossas misturas, tão “originais” e complexas, fazem o próprio conceito de origem ou “raíz” perder o seu sentido… somos todxs miscigenados, afrobrasileiros no nosso sangue, na nossa fala, gestos do corpo, na nossa verve e em nossos afetos, além de outros “rizomas”. A África é nosso passado, presente, e também o nosso futuro a ser inventado, para além de todos os nossos complexos coloniais ainda limitadores. O desejo de liberdade e pluralidade já vem dos tempos dos primeiros quilombos, que já reuniam, junto à comunidade negra, também judeus, árabes, europeus, indígenas, prostitutas… todos perseguidos por outras formas de opressão, oriundas do mesmo sistema colonizador.

“Negros e homossexuais, de certo modo, estão unidos através das mesmas forças de exclusão, preconceito e discriminação. Os primeiros, pela cor, pelo culto as suas “estranhas” divindades, os outros pela negação dos princípios da hetero-normatividade. Ambos pelas diferenças com o europeu-cristão-colonizador. Todos, marginais.”

(Astor Vieira Junior, in “A língua como resistência: uma tentativa sociolingüística de compreensão das linguagens de negros e homossexuais no Brasil”)

A favela, os quilombos remanescentes, e diversos movimentos sociais/ negros/ feministas/ LGBT/ queer , ainda fazem vibrar idéias muito diferentes das do projeto Brasil-colônia que ainda vivenciamos hoje. Nosso afrofuturismo queer tem inspiração yorubá/nagô, como por exemplo no dialeto de resistência de nossos travestis e transexuais.

“Pelo Brasil afora, muitos travestis e gays, sobretudo de classes mais humildes, incorporaram palavras de inspiração nagô (ou yorubá, que é a mesma coisa) em seu linguajar diário. Alguns exemplos: mona=mulher; adé=gay; aló=lésbica; edi=pênis; ocan=bunda; ocó=homem; uó=coisa ruim, etc. […] Como outros “dialetos” grupais, é uma forma de, através de linguagem cifrada, evitar que pessoas de fora entendam conversas mais íntimas dos próprios homossexuais (MOTT, 2006, grifos meus).”

(Astor Vieira Junior, in “A língua como resistência: uma tentativa sociolingüística de compreensão das linguagens de negros e homossexuais no Brasil”)

[ um pouco mais sobre queer no brasil em breve, e com a colaboração de vocês… mandem também inspirações pra gente postar por aqui : ) ]

Nesse projeto, eu (moana mayall/ “dreilanderin”) e miss Tobi Möhring estamos unindo nossas expressões artísticas – respectivamente em vídeo e em escultura – num trabalho híbrido de videoescultura, cujos conteúdos colaborativos de imagem e voz também vão conectar o contexto queer de Berlim com o do Brasil.

Como colaborar:

Imagem :: Estamos recebendo vídeos gravados em close ou “busto”(sim, nossa máscara também vai ter dois seios “unissex” 😉 De preferência, sem movimentos que façam com que a cabeça “saia do eixo” na filmagem. (Afinal, a máscara de metal é estática, mas através do vídeo sobre suas diferentes superfícies, o metal vai ganhar vida, textura, expressões faciais e fala- teremos o áudio acessível ao público- “caras e bocas”, caretas, olhares, maquiagens, acessórios, fantasias… super bem vindos! Em alguns momentos, sua face vai tomar toda a máscara, em outros, seu rosto será remixado/ recombinado com outros rostos queer, feito uma “videocolagem” sobre a máscara de metal, por sua vez, uma “bricolagem” de sucata, com elementos metálicos também bem variados.  [em breve vamos ter uns exemplos de materiais gravados por aqui em Berlim]

Idioma :: Como a videoescultura vai ser exposta em Amsterdam, no contexto do Festival Transcreen (de cinema transgênero e queer), o público em geral vai entender o inglês. Quem puder falar em inglês no vídeo, ótimo, mas quem não puder, pode mandar em português/ yorubá, que fazemos uma tradução sobre a sua voz : )

Falas :: o que o imaginário queer (ou seja, livre de quaisquer padronizações de gênero e de visão de mundo) te inspirar em fala, música, ruído etc … ∞… mais do que definir o que seja queer, compartilhar subjetividades… abrir e multiplicar os olhares e as vozes sobre o que seja sentir, ser e vivenciar “queer-mente”…

Outras contribuições :: Também estamos recebendo registros de performances e movimentos queer/trans/LGBT de todo o Brasil, pois poderemos exibi-los em algumas áreas da máscara, aproveitando também alguns de seus áudios.

Contrapartida :: Para esse projeto, eu e miss Tobi só contamos com ajuda de custo estadia/ transporte. Acolhemos uma sugestão bacana de contrapartida, por Jota Mombaça (de Natal/RN), que foi a idéia de publicar esse blog compartilhando nossos processos de criação, pesquisa e escuta, e também publicando links com os vídeos projetados na máscara, além outros sugeridos pelxs nossxs colaboradorxs.

Formato do vídeo para envio :: preferencialmente em quicktime movie (*.mov), mas também pode ser em mpeg 4 (*.mp4). É importante que o áudio possa ser bem ouvido/ entendido.

Para enviar online :: sugerimos wetransfer.com ou dropbox . email para moana: dreilanderin@gmail.com

Prazo máximo de envio :: Como vamos apresentar a máscara ainda na primeira semana de junho, o ideal é receber os vídeos até o dia 30 de maio. Qualquer contratempo, entre em contato (abaixo).

Contato :: Entre em contato para quaisquer dúvidas/ sugestões/ críticas etc pelo email dreilanderin@gmail.com (email para moana)

p.s: a máscara já está quase pronta. Em breve vamos postar outras etapas do nosso “making-of” : ))

beijxs e muitxs obrigadxs ❤

moana e miss tobi

(berlim, abril/maio de 2015)

 

Screen Shot 2015-05-18 at 05.51.00

(mc xuparina: “ich liebe meine vagina”, berlin)

 

 

 

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